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EVENTOS CULTURAIS PARA O ENCERRAMENTO DO ANO PAULINO
E uma entrevista coletiva do cardeal Andrea di Montezemolo na sala de imprensa da Santa S.

Roma, 21/08/2017

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CELEBRACAO DAS PRIMEIRAS VSPERAS DA SOLENIDADE DOS SANTOS APSTOLOS PEDRO E PAULO POR OCASIO DA ABERTURA DO ANO PAULINO
 
HOMILIA DO SANTO PADRE BENTO XVI
 
 
Baslica de So Paulo fora dos Muros
Sbado, 28 de junho de 2008
 
Santidade e Delegados fraternos,
 
Senhores Cardeais,
 
Venerados Irmos no Episcopado e no Sacerdcio,
 
Queridos irmos e irms!
 
Estamos reunidos junto do tmulo de So Paulo, o qual nasceu, h dois mil anos, em Tarso da Cilcia, na actual Turquia. Quem era este Paulo? No templo de Jerusalm, diante da multido agitada que queria mat-lo, ele apresenta-se a si mesmo com estas palavras: "Sou Judeu, nascido em Tarso da Cilcia, mas fui educado nesta cidade [Jerusalm], instrudo aos ps de Gamaliel, em todo o rigor da Lei de nossos pais e cheio de zelo pelas coisas de Deus..." (Act 22, 3). No final do seu caminho dir de si: "Fui constitudo... mestre dos gentios na f e na verdade" (1 Tm 2, 7; 2 Tm 1, 11). Mestre dos gentios, apstolo e propagador de Jesus Cristo, assim ele se caracteriza a si mesmo num olhar rectrospectivo ao percurso da sua vida. Mas com isto o olhar no se dirige s ao passado. "Mestre dos gentios" esta palavra abre-se para o futuro, para todos os povos e todas as geraes. Paulo no para ns uma figura do passado, que recordamos com venerao. Ele tambm o nosso mestre, apstolo e propagador de Jesus Cristo.
Estamos portanto reunidos no para reflectir sobre uma histria do passado, irrevogavelmente superada. Paulo quer falar connosco hoje. Por isso quis proclamar este especial "Ano Paulino": para o ouvir e para aprender agora dele, como nosso mestre, "a f e a verdade", nas quais esto radicadas as razes da unidade entre os discpulos de Cristo. Nesta perspectiva quis acender, para este bimilenrio do nascimento do Apstolo, uma especial "Chama Paulina", que permanecer acesa durante todo o ano num braseiro especial colocado no quadriprtico da Baslica. Para solenizar esta data tambm inaugurei a chamada "Porta Paulina", atravs da qual entrei na Baslica acompanhado pelo Patriarca de Constantinopla, pelo Cardeal Arcipreste e por outras Autoridades religiosas. para mim motivo de profunda alegria que a abertura do "Ano Paulino" assuma um particular carcter ecumnico pela presena de numerosos delegados e representantes de outras Igrejas e Comunidades eclesiais, que recebo de braos abertos. Sado em primeiro lugar Sua Santidade o Patriarca Bartolomeu I e os membros da Delegao que o acompanha, assim como o numeroso grupo de leigos que de vrias partes do mundo vieram a Roma para viver com ele e com todos ns estes momentos de orao e de reflexo. Sado os Delegados Fraternos das Igrejas que tm vnculos particulares com o apstolo Paulo Jerusalm, Antioquia, Chipre, Grcia e que formam o ambiente geogrfico da vida do Apstolo antes da sua chegada a Roma. Sado cordialmente os Irmos das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais do Oriente e do Ocidente, juntamente com todos vs que quisestes participar neste solene incio do "Ano" dedicado ao Apstolo das Naes.
Estamos portanto aqui reunidos para nos interrogarmos sobre o grande Apstolo dos gentios. No perguntamos apenas: Quem era Paulo? Perguntamos sobretudo: Quem Paulo? O que me diz? Neste momento, no incio do "Ano Paulino" que estamos a inaugurar, gostaria de escolher entre o rico testemunho do Novo Testamento trs textos, nos quais aparece a fisionomia interior, a especificidade do seu carcter. Na Carta aos Glatas ele doou-nos uma profisso de f muito pessoal, na qual abre o seu corao diante dos leitores de todos os tempos e revela qual o estmulo mais ntimo da sua vida. "Vivo na f do Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim" (Gl 2, 20). Tudo o que Paulo faz, parte deste centro. A sua f a experincia do ser amado por Jesus de modo muito pessoal; a conscincia do facto que Cristo enfrentou a morte no por qualquer coisa annima, mas por amor a ele a Paulo e que, como Ressucitado, ainda o ama, ou seja, que Cristo se entregou por ele. A sua f o ser atingido pelo amor de Jesus Cristo, um amor que o perturba profundamente e o transforma. A sua f no uma teoria, uma opinio sobre Deus e sobre o mundo. A sua f o impacto do amor de Deus sobre o seu corao. E assim esta mesma f amor por Jesus Cristo.
Omelia apertira Anno Paolino
Paulo apresentado por muitos como homem combativo que sabe manobrar a espada da palavra. De facto, no seu caminho de apstolo no faltaram contendas. No procurou uma harmonia superficial. Na primeira das suas Cartas, a que escreveu aos Tessalonicenses, ele diz de si mesmo: "No meio de grandes obstculos... fomos anunciar-vos o Evangelho de Deus no meio de muitas lutas... Com efeito, nunca usa de adulao, como sabeis" (1 Ts 2, 2.5). A verdade era para ele demasiado grande para estar disposto a sacrific-la em vista de um sucesso externo. Para ele a verdade que tinha experimentado no encontro com o Ressuscitado merecia bem a luta, a perseguio, o sofrimento. Mas o que o motivava no mais profundo do seu ser, era ser amado por Jesus Cristo e o desejo de transmitir aos outros este amor. Paulo era uma pessoa capaz de amar, e todo o seu agir e sofrer s se explica a partir deste centro. Os conceitos fundamentais do seu anncio compreendem-se unicamente com base nele. Analisemos s uma das suas palavras-chave: a liberdade. A experincia do ser profundamente amado por Cristo tinha-lhe aberto os olhos sobre a verdade e sobre o caminho da existncia humana aquela experincia abraava tudo. Paulo era livre como homem amado por Deus que, em virtude de Deus, era capaz de amar juntamente com Ele. Este amor agora a "lei" da sua vida e precisamente assim a liberdade da sua vida. Ele fala e age movido pela responsabilidade do amor. Liberdade e responsabilidade esto aqui unidas de modo inseparvel. Dado que est na responsabilidade do amor, ele livre; dado que um que ama, ele vive totalmente na responsabilidade deste amor e no assume a liberdade como pretexto para o arbtrio e para o egosmo. No mesmo esprito Agostinho formulou a frase que depois se tornou famosa: Dilige et quod vis fac (Tract. in 1 Jo 7, 7-8) ama e faz o que desejas. Quem ama Cristo como Paulo o amou, pode deveras fazer o que deseja, porque o seu amor est junto com a vontade de Cristo e, desde modo, com a vontade de Deus; porque a sua vontade est ancorada na verdade e porque a sua vontade j no simplesmente a sua vontade, arbtrio do eu autnomo, mas integra-se na liberdade de Deus e dela recebe o caminho que se deve percorrer.
Na busca da fisionomia interior de So Paulo gostaria, em segundo lugar, de recordar a palavra que Cristo ressuscitado lhe dirigiu no caminho de Damasco. Primeiro o Senhor pergunta-lhe: "Saulo, Saulo, porque me persegues?". pergunta: "Quem s, Senhor?", dada a resposta: "Eu sou Jesus que tu persegues" (Act 9, 4s). Ao perseguir a Igreja, Paulo persegue o prprio Jesus: "Tu persegues-me". Jesus identifica-se com a Igreja num s sujeito. Nesta exclamao do Ressuscitado, que transformou a vida de Saulo, no fundo j est contida toda a doutrina sobre a Igreja como Corpo de Cristo. Cristo no se retirou para o cu, deixando na terra uma multido de seguidores que se ocupam da "sua causa". A Igreja no uma associao que pretende promover uma determinada causa. Nela, no se trata de uma causa. Nela, trata-se da pessoa de Jesus Cristo, que tambm como Ressuscitado permaneceu "carne". Ele tem "carne e ossos" (Lc 24, 39), afirma o Ressuscitado em Lucas, diante dos discpulos que o tinham considerado um fantasma. Ele tem um corpo. Est pessoalmente na sua Igreja, "Cabea e Corpo" formam um nico sujeito, dir Agostinho. "No sabeis que os vossos corpos so membros de Cristo?", escreve Paulo aos Corntios (1 Cor 6, 15). E acrescenta: assim como, segundo o Livro do Gnesis, o homem e a mulher se tornam uma s carne, assim Cristo com os seus se torna um s esprito, ou seja, um nico sujeito no mundo novo da ressurreio (cf. 1 Cor 6, 16ss). Em tudo isto transparece o mistrio eucarstico, no qual Cristo doa continuamente o seu Corpo e faz de ns seu Corpo: "O po que partimos no comunho do corpo de Cristo? Uma vez que h um s po, ns, embora sendo muitos, formamos um s corpo, porque todos participamos do mesmo po" (1 Cor 10, 16ss). Com estas palavras dirige-se a ns, neste momento, no s Paulo, mas o prprio Senhor: Como pudestes dilacerar o meu Corpo? Diante do rosto de Cristo, esta palavra torna-se ao mesmo tempo um pedido urgente: rene-nos a todos de qualquer diviso. Faz com que hoje se torne de novo realidade: h um s po, por isso ns, mesmo sendo muitos, somos um s corpo. Para Paulo a palavra sobre a Igreja como Corpo de Cristo no uma comparao qualquer. Supera de muito uma comparao. "Porque me persegues?". Cristo atrai-nos continuamente para dentro do seu Corpo, edifica o seu Corpo a partir do centro eucarstico, que para Paulo o centro da existncia crist, em virtude da qual todos, como tambm cada indivduo pode experimentar de modo muito pessoal: ele amou-me e entregou-se a si mesmo por mim.
Omelia S. Padre apertura Anno Paolino
Gostaria de concluir com uma palavra tardia de So Paulo, uma exortao que dirigiu da priso a Timteo, face morte. "Sofre tambm tu juntamente comigo pelo Evangelho" diz o Apstolo ao seu discpulo (2 Tm 1, 8). Esta palavra, que est no fim dos caminhos percorridos pelo apstolo como um testamento, remete para o incio da sua misso. Enquanto, depois do seu encontro com o Ressuscitado, Paulo estava cego na sua habitao de Damasco, Ananias recebeu o cargo de ir ter com o temido perseguidor e de lhe impor as mos, para que readquirisse a vista. objeco de Ananias, de que este Saulo era um perseguidor perigoso dos cristos, obtm esta resposta: Este homem deve levar o meu nome diante dos povos e dos reis. "Eu mesmo lhe hei-de mostrar quanto ele tem de sofrer pelo Meu nome" (Act 9, 15s). O encargo do anncio e a chamada ao sofrimento por Cristo caminham inseparavelmente juntos. A chamada a tornar-se o mestre das naes ao mesmo tempo e intrinsecamente uma chamada ao sofrimento na comunho com Cristo, que nos redimiu mediante a sua Paixo. Num mundo no qual a mentira poderosa, a verdade paga-se com o sofrimento. Quem quer evitar o sofrimento, mant-lo distante de si, mantm distante a prpria vida e a sua grandeza; no pode ser servo da verdade nem pode servir a f. No h amor sem sofrimento sem o sofrimento da renncia de si, da transformao e purificao do eu pela verdadeira liberdade. Onde no existe nada pelo qual vale a pena sofrer, at a prpria vida perde valor. A Eucaristia o centro do nosso ser cristos funda-se no sacrifcio de Jesus por ns, nasceu no sofrimento do amor, que na Cruz encontra o seu pice. Ns vivemos deste amor que se doa. Ele infunde-nos a coragem e a fora para sofrer com Cristo e por Ele neste mundo, sabendo que precisamente assim a nossa vida se torna grande, madura e verdadeira. luz de todas as cartas de So Paulo vemos como no seu caminho de mestre das naes se tenha realizado a profecia feita a Ananias no momento da chamada: "Mostrar-lhe-ei quanto ter que sofrer pelo meu nome". O seu sofrimento torna-o credvel como mestre de verdade, que no procura o prprio interesse, a sua glria, a satisfao pessoal, mas se compromete por Aquele que nos amou e se entregou a si mesmo por todos ns.
Neste momento agradecemos ao Senhor, porque chamou Paulo, tornando-o luz dos povos e mestre de todos ns, e pedimos-lhe: D-nos tambm hoje testemunhas da ressurreio, arrebatados pelo teu amor e capazes de levar a luz do Evangelho ao nosso tempo. So Paulo, reza por ns! Amm.
 

 

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Iniciará no dia 28 de Junho e Bento XVI concedeu especiais indulgências mediante este documento

Saeculo XX expleto postquam Sanctus Apostolus Paulus in terris ortus est, speciales conceduntur Indulgentiae.

O Padre Prior da Abadia de São Paulo Fora dos Muros compôs um hino em homenagem ao apóstolo dos gentios. Para ler o pentagrama e ouvi-lo, visite o site:

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